Você começa a treinar e fazer dieta com muito empenho. Segue certinho, sem faltar. Consegue ficar até mesmo sem beber numa festa, sem comer docinho de sobremesa. Acorda cedo para treinar. Mas passa 4, 5, 6 semanas e todo esse empenho vai caindo. Aos poucos começa as negociações dentro do próprio cérebro.
Maquiavel já dizia: “A natureza dos homens é inconstante: é fácil persuadi-los, mas difícil mantê-los persuadidos” e isso é exatamente o que acontece com você. Primeiros se convence a mudar, mas pouco tempo depois já desiste da mudança.
Porém, diferente de Maquiavel, que não conhecia neurociência, você vai aprender o porquê isso acontece.
Nosso cérebro é orientado para tomar decisões avaliando custo versus benefícios. Mas para tanto, ele precisa de uma referência para saber o quanto algo é custoso e o quanto é benéfico. Ele então busca essa informação em sua memória. Eventos e situações similares em que ele precisou tomar uma decisão. Para selecionar qual memória, em meio a tantas, ele usa como critério, gatilhos, similaridades de contextos, mas também aquelas memórias que tem mais a ver com a identidade que a pessoa tem de si, armazenada em outra área do cérebro.
Ele faz uma análise das possibilidades de tomada de decisão e escolhe aquela que traz melhor custo versus benefício não para o seu bem, mas para o bem da identidade sobre si, construída e registrada no seu cérebro.
A cada tomada de decisão o cérebro cria um registro e toda vez que ele precisa tomar uma decisão similar, ele busca nesse “arquivo de registros” aquela decisão mais “correta” para o “bem da identidade”. Tomada a decisão, ele reforça mais ainda aquela identidade já criada.
Mas ficar fazendo esse ciclo de: busca de registro, análise, tomada de decisão, reforço do registro, é do ponto de vista cerebral, lento. Então, o cérebro começa a encurtar o caminho. Ele entende que algumas informações já se repetiram tanto e ou foram tão importantes que é melhor já as reproduzir sem “pensar”.
Assim criamos os padrões de pensamentos, de comportamentos e automatizamos isso tudo. Dessa forma, temos os hábitos.
Uma pessoa que é disciplinada para treinar, fazer dieta, seguir um planejamento, mesmo em dias que não está tão animada teve em sua vida contextos, pensamentos e decisões que a levaram a criar esse tipo de padrão de decisão. Quanto mais ela se expôs a esses tipos de eventos e situações, mais ele cravou essa identidade e esse padrão cerebral.
Ao ponto que para algumas pessoas a dificuldade já não é mais sair de casa para treinar. Pelo contrário, se ela precisa descansar, ela tem que lutar com o cérebro é para ficar em casa, pois ele quer “mandá-la” para o treino. Note que aqui o cérebro não está preocupado com o que é o melhor de verdade para ela, que no caso seria se recuperar para continuar progredindo ou evitar uma lesão. Ele quer mesmo o melhor para a identidade construída para esse caso decidir ficar na cama não combina em nada, mas sim, ir treinar a qualquer custo.
Agora a pessoa considerada indisciplinada passa exatamente pelo mesmo processo, o problema é que no caso dela, a construção da identidade foi sempre de alguém que preferiu o prazer imediato, o conforto, a recompensa com baixo esforço. A cada vez que a pessoa deixa de treinar, pois está com preguiça, acredita que merece descanso, que não tem tempo, que a vida é muito mais difícil para ela vai reforçando o tipo de comportamento, pensamentos e hábitos.
Com o tempo, pessoas mais disciplinadas acabam tendo determinadas áreas cerebrais relacionadas a resiliência, planejamento, adiamento de recompensas, mais ativas do que os sedentários possuem.
Entendido esse quadro a pergunta que fica é: “então, vou ser sempre assim?”.
A resposta vai ser sim para a maioria das pessoas. Não porque não seja possível mudar. Pelo contrário, a mudança é possível sim, graças a neuroplasticidade. Que seria a capacidade de “remodelar” o cérebro. Inclusive, mesmo pessoas mais velhas podem mudar seus padrões, já que a neuroplasticidade, apesar de ser maior em crianças, continua ocorrendo durante a vida.
Mas o fato é que para mudar padrões de pensamentos, comportamentos e hábito é preciso método. Não é só uma questão de “força de vontade”. Emagrecer não é uma questão somente de “fechar a boca e treinar”. Na verdade, esse pensamento só piora as coisas.
É preciso entender muito profundamente como o cérebro se comporta e usar técnicas, especialmente de Terapia Cognitivo Comportamental para causar intervenções certeiras em cada caso. Infelizmente, a maioria das pessoas não terão acesso a isso, portanto a maioria das pessoas ficarão “dando murro em ponta de faca”.
Aqui, expus uma pequena parte de como o cérebro funciona. De forma didática, exclui uma infinidade de outros eventos cerebrais que ocorrem além disso, todos eles acontecem simultaneamente e numa velocidade absurda.
Agora, diferente de Maquiavel, você aprendeu que o seu “jeito de ser” não foi ao acaso, nem mesmo que você é escravo desse jeito para eternidade. Então, conte para mim, você tem algum tipo de comportamento, pensamento ou hábito que deseja mudar em si, mas tem muita dificuldade?
Você quer fazer parte da minoria que realmente consegue chegar na verdadeira transformação de si? Então, continue seguindo meus conteúdos por aqui e no Instagram. Aproveite para enviar essa carta para algum conhecido que fica se culpando por não conseguir mudar os próprio comportamentos e resultados.














