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Comece agora mesmo a cuidar do seu corpo e mente fazendo atividade física com qualidade e segurança.

Qualidade de vida e bem estar.

Segurança, Motivação e exclusividade!

Supere seus limites e conquiste seus objetivos!

Entre em forma e conquiste saúde!

O que correr uma ultramaratona me ensinou.

 Correr 30km, 40km, 50km não acontece do dia para a noite. Uma pessoa para conseguir isso precisa de muitos treinos de corrida, fortalecimento. Precisa ter uma alimentação minimamente saudável e controlada. Necessita de muita dedicação e disciplina.

Mas existe algo que é imprescindível para correr longas distâncias; saber dizer “não”.

A necessidade de pertencimento, de validação, o medo de rejeição, de exclusão, de julgamentos faz muitas pessoas a dizerem sempre sim para o outro, mesmo quando internamente quer recusar os convites, ofertas e pedidos. A nossa necessidade de fuga, busca por prazer também nós induz a sempre dizer sim para nós, mesmo quando queremos dizer não. Quem aí, rolando as redes sociais no celular, já quis dizer não para si, mas acabou dizendo sim ao continuar navegando na internet?

Com o passar dos treinos e de minha evolução nas distâncias percorrida, precisei cada vez mais de dedicação. Nesse processo aprendi na prática algo que é tão evidente e nós até sabemos, mas que talvez até por isso, nem percebemos ou praticamos.

Dizer sim para alguém é dizer não para si mesmo.

Aqui, não quero dizer que você deve ser um egoísta malvado que só pensa em si.

Também não me refiro apenas àqueles pedidos que a pessoa faz para “explorar” ou aproveitar da sua bondade. Digo, também, até quando alguém oferece uma oferta ou convite aparentemente bom.

Por isso é importante aprender a classificar as suas decisões em 3 categorias

A) Aquelas que ajudam alcançar seus objetivos

B) Aquelas que nem ajudam e nem atrapalham

C) Aquelas que atrapalham alcançar seus objetivos.

Nessa jornada, tive que em vários momentos recusar convites sociais, deixar de estar presente com entes queridos. Em alguns eventos que fui, tive que deixar de tomar minha cerveja, mesmo quando amigos ficaram insistindo. Em muitas sextas-feiras à noite tive que deixar de assistir séries com minha filha e esposa, pois tinha treino no dia seguinte.

Tive que deixar de aceitar alguns convites que até seriam vantajosos. Mas somente se eu tivesse outros objetivos de vida.

Enquanto corria minha primeira ultramaratona, vinha em minha cabeça a satisfação de saber que iria conquistar essa meta de correr 50km sem parar, graças a todas as vezes que “sofri” nos treinos e ao dizer não para aquilo que me afastava do objetivo.

Não fosse por isso, jamais eu poderia escrever essa carta a você e jamais poderia dizer que hoje sou um ultramaratonista.

A cada não que disse e por consequência me deixava mais perto da meta, mais entendia que preciso usar isso em todos meus caminhos e objetivos.
Nesses últimos anos, sinto-me mais focado em meus estudos, trabalho, família e treino.
Isso me levou a ver menos os amigos, sair menos, não jogar mais futebol. Mas tenho ganhado tanto por isso, que venho aprendendo, não no discurso, mas na prática aquilo cantado pelo Chorão do Charlie Brow Jr. “Cada escolha uma renúncia, isso é a vida”.

Talvez, na verdade provavelmente, você vai ouvir que sumiu, que virou bitolado, exagerado, que é egoísta. Mas talvez seja justamente isso que você precise ser. Pois quem vai arcar com as consequências dos seus sins, será você mesmo. Quem pediu, quem cobrou, quem julgou você vai seguir a própria vida, colhendo os frutos da sua permissividade, enquanto será você que sofrerá por ter se deixado de lado.

Acredito que a maioria das pessoas, sucumbem a essa necessidade de aprovação do outro e sempre diz sim para as vontades alheias e até as vontades próprias, pois ainda não conhecem qual o próprio caminho. Acabam, portanto, caindo naquela frase de Sêneca: “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”.

Todo convite, toda oportunidade, todo pedido, parece ser bom, ser urgente e ser imperdível.
Correr essa ultramaratona mostrou que muitas vezes dizer sim para uma oportunidade pode ser maravilhoso para uma pessoa, mas para outra que tem objetivos diferentes pode ser uma péssima ideia.

Talvez ganhar mais dinheiro em um emprego em uma outra cidade pode ser ótimo para uma pessoa, mas seria péssimo para outra.

Essa jornada até meus primeiros 50km fez que eu reforçasse esse entendimento, principalmente por ter o colocado em prática.

Pensando nisso quero que você responda, você sabe dizer não?

O que a maratona e o primeiro beijo têm em comum?

 Você estava lá, diante da pessoa que lhe fazia tremer as pernas e de repente os seus lábios se tocaram. Um estalo, um selinho... 1 segundo, talvez dois ou três. O primeiro beijo concretizado.

Ao mesmo tempo que foi rápido, foi eterno. Ao mesmo tempo que gerou medo, insegurança, tensão, gerou felicidade, alívio, orgulho satisfação e o sentimento de plenitude.

Para alguns o primeiro beijo foi mágico, para outros foi indiferente, infelizmente, para alguns foi traumático e era melhor que nem tivesse acontecido. Para alguns, como eu, nem nos lembramos.

O fato é que o primeiro beijo só existe uma única vez. Não importa quantos beijos você deu depois disso. O primeiro nunca mais vai existir.

Na vida, a primeira vez de qualquer coisa que você faça, nunca mais se repetirá e deixará um registro ne seu cérebro. Poderá moldar toda sua vida, a depender do que se tratava e acima de tudo, de como você digeriu todo esse momento.

A maratona não foge dessa regra. Correr a sua primeira maratona só acontecerá uma única vez e se vocês está aqui comigo, parece-me que está prestes a acontecer ou ela foi marcante na sua vida, caso já tenha feito a sua estreia.

Para os iniciantes, tenho algo muito importante a dizer, assim como o primeiro beijo pode ser maravilhoso ou ser desastroso a maratona também corre esse risco.

Um beijo precoce, inesperado, sem preparo mental principalmente deixa marcas terríveis. Uma maratona sem o devido preparo físico, sem o respeito pelo que isso significa e sem principalmente a maturidade psicológica para esse grande momento, poderá trazer traumas irreparáveis na sua vida de corredor.

Não é incomum nos depararmos com maratonistas que afirmam nunca mais querer correr uma maratona. Assim como aquele que lidou mal com o primeiro beijo e depois dali teve uma vida inteira de dificuldades nos relacionamentos, aquele que só tem lembranças ruins da maratona possivelmente terá grandes dificuldades de relacionamento com a maratona.

Caso você esteja prestes a debutar na maratona, não se intimide por ela. Imagino que agora você está nervoso, como medo de não conseguir, achando que não é para você, que foi um erro ter se inscrito.

Mas muito provavelmente seu corpo já está pronto para os 42,195km. Agora é sua mente o maior obstáculo. Por isso, acredite, não é o resultado da prova que vai definir sua vida corredora, assim como não é o primeiro beijo que definirá seus relaciona,entos. Mas como você vai deixar isso afetar você.

“Não são as coisas que nos perturbam, mas os julgamentos que fazemos sobre elas.” EPICTETO

Dito isso, acredite, você está achando que a preparação é longa, difícil. Vai achar também que a prova é longa, interminável. Mas como aquele primeiro beijo que durou poucos segundos foram rápidos e eternos ao mesmo tempo, a maratona será da mesma forma. Escrevo aqui já tendo corrido 50km em um único treino. Já fiz outras maratonas e acredite, depois de passado, todo o processo, se feito adequadamente, você sentirá saudades e principalmente que foi tão rápido que nem teve tempo de desfrutar. Não importa quantas outras fizer, vai ter sempre saudades e carinho dessa primeira maratona.

Para aqueles que já fizeram e tiveram traumas e nunca mais querem fazer, vocês têm a oportunidade de usar isso a seu favor, como crescimento, como desenvolvimento da capacidade de superar traumas que poderá ser usado para a vida toda. Assim como uma pessoa que teve o primeiro beijo desastroso, mas soube lidar com isso para ter relacionamentos saudáveis, você também pode fazer a mesma coisa com a maratona. Acredito, inclusive, que um segundo ciclo, após um primeiro traumático, será ainda mais transformador do que se o primeiro tivesse sido agradável.

Para você debutante, aproveite. Escolha uma prova alvo que você se identifique com o lugar, chame os familiares para torcer, registre todos os momentos, tire fotos, faça vídeos, converse com os amigos sobre isso, cuide dos seus equipamentos, desfrute da jornada. Permita-se experenciar, sem comprometer o planejamento. Faça desse primeiro beijo, ou melhor primeira maratona, algo especial.

Você vai passar por uma montanha russa de sentimentos, vai temer, vai ficar ansioso, vai sorrir, vai chorar, não lute com seus sentimentos. Apenas os observe, contemple-os. Isso tudo faz parte do pacote “transforma pela maratona”. Assim como o primeiro beijo, sinta-o. Viva o momento.
Vai se conectar com Deus, vai sentir que é ele quem corre os últimos quilômetros por você. A respiração vai falhar, não pelo cansaço, mas pelo choro de emoção antes mesmo de acabar.

É lindo, é eterno, é mágico. Não me lembro do meu primeiro beijo, mas me lembro da primeira maratona e até hoje sinto a emoção dela correndo pelo meu corpo.

Seu cérebro vai registrar essa experiência, decida como quer que ela seja lembrada. Sua primeira maratona vai ser seu primeiro beijo pela segunda vez.

Parabéns, estreante, você agora é um maratonista!

A largada da maratona vai intimidar você

 A largada da primeira maratona pode ser extremamente intimidante.

Você olha ao redor e vê centenas, às vezes milhares de pessoas aparentemente prontas. Alguns aquecendo com intensidade, outros sorrindo. Alguns brincando, gritando, conversando alto, demonstrando confiança.

Enquanto isso, você pensa:

“todo mundo parece preparado, menos eu.”

“acho que não sou capaz.”

“Todo mundo vai conseguir, menos eu”

Isso faz muito sentido do ponto de vista da neurociência e do comportamento humano.

Você passou semanas ou meses acumulando fadiga física e mental. Fez treinos longos, acordou cedo, lidou com dores, dúvidas, oscilações emocionais, medo de não conseguir.

Seu cérebro sabe que algo importante está prestes a acontecer e por isso aumenta o estado de vigilância.

Área cerebral, responsável pela detecção de ameaças, aumenta sua sensibilidade, o estado de alerta. O cérebro começa a procurar sinais de perigo, incapacidade e risco ao redor.

O problema é que ele passa a interpretar o comportamento dos outros corredores como prova de que eles estão preparados e você não.

Você vê alguém aquecendo forte e pensa:

“ele está pronto.”

Vê alguém sorrindo e pensa:

“ela está tranquila.”

Vê alguém com postura confiante e conclui:

“todo mundo consegue, menos eu.”

E então surge aquela sensação de deslocamento. Como se você não devesse estar ali.

Isso piora quando você está sozinha, sem companhia, sem alguém experiente ao lado para normalizar aquele turbilhão emocional.

Mas existe uma armadilha cognitiva acontecendo ali.

Seu cérebro está comparando o seu estado interno com o comportamento externo das outras pessoas.

Porém você conhece suas inseguranças, as dos outros, não.

Muitas ali também estão ansiosos, mas manifestam de formas diferente.

Alguns ficam calados.

Outros falam sem parar.

Alguns se fecham.

Outros começam a rir excessivamente.

Alguns gritam:

“VAMOOOO!”

“Pra cima!”

É uma tentativa do cérebro de descarregara tensão emocional.

O corpo aumenta a ativação fisiológica e a pessoa tenta regular isso através da fala, da excitação, do movimento e da interação social.

Seu cérebro percebe toda aquela movimentação coletiva e entende:

“isso é importante.”

“isso exige atenção.”

“isso pode ser perigoso.”

Então, sua frequência cardíaca sobe, respiração muda, corpo tensiona, pensamento acelera e você interpreta isso como incapacidade.

Você não precisa parecer confiante para ser capaz. A maratona não exige ausência de medo. Ela exige continuidade apesar dele.

Quase ninguém naquela largada está totalmente tranquilo.

Inclusive muitos dos atletas que aparentam mais confiança já passaram pelas mesmas inseguranças que você está sentindo agora.

A diferença é que aprenderam a interpretar aquela ativação fisiológica não como sinal de incapacidade, mas como sinal de importância.

Seu cérebro não está “agitado” porque você é fraca, mas porque entende que aquilo importa.

A largada da maratona não reúne pessoas sem medo e sim aquelas que decidiram continuar mesmo sentindo medo e talvez seja exatamente isso que torna a maratona tão especial.

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