Você começa a correr, mas sente que não a respiração não ajuda, a perna pesa, o coração parece que vai explodir de tanta força que faz. Isso ocorre, pois sua capacidade física ainda está fraca. Mas calma, você pode melhorar e muito seu condicionamento físico. Mas além de treinos, precisa entender o que acontece no seu corpo, de acordo com cada tipo de treino que fizer.
Para melhorar a performance, o corpo precisa sofrer algumas adaptações, que são provocadas quando se oferta a ele estímulos na intensidade e quantidade certa.
O corpo possui duas fontes principais de energia. Uma, a gordura, é tão abundante que nos permitiria correr horas e horas. Mas que libera energia de forma lenta. A outra fonte é mais escassa e preciosa. Ela é o carboidrato armazenado como glicogênio muscular e hepático. A grande vantagem dela é que consegue liberar muita energia de uma vez.
Quando estamos num exercício e aumentamos a intensidade, aumentamos não só a demanda por mais energia, mas também que ela seja entregue em grandes quantidades e o mais rápido possível.
Ser treinado, então, é ter a capacidade de que mesmo com maiores intensidades o corpo retarde ao máximo o uso da energia preciosa, glicogênio. Conseguindo se satisfazer grandemente com a energia mais abundante, gordura.
Para tanto, precisa então, ter mais locais que queimam essa energia abundante (mitocôndrias) e que esses locais sejam não só mais numerosos, mas que funcionem melhor. Também precisamos ter uma capacidade de levar mais nutrientes para os músculos e retirar a “sujeira” dentro dele, causada pela liberação de energia. Para tanto, precisamos que mais sangue chegue lá e para isso o coração tem que melhorar a capacidade de bombeá-lo. Mas não basta apenas isso, ele precisa de “estradas” mais largas e mais numerosas para não gerar “engarrafamento” sanguíneo. Essas estradas são os vasos que irrigam esses músculos.
Correndo mais rápido, por mais tempo e usando mais energia o sistema vai gerar mais calor, o que limita a performance e por isso precisa, também ter um sistema de resfriamento excelente.
Com essas condições, atleta bem treinado já correrá numa velocidade maior que a maioria dos seus concorrentes. Mas outros poucos atletas de elite também estarão nesse mesmo nível.
O atleta bem treinado, então precisa usar sua energia preciosa, como se fosse um turbo, para conseguir correr em velocidade ainda maior e ele também não quer que ela acabe rapidamente.
O uso cada vez maior dessa energia produz uma espécie de “lixo” metabólico, importante, mas que limita o desempenho. Ele necessita, então de um sistema que consiga remover esse lixo de forma bem eficiente a tal ponto de conseguir, inclusive, usá-lo como fonte de mais energia preciosa.
Observe que à medida que ocorre aumento progressivo da intensidade o corpo passa a depender mais da energia preciosa e o atleta bem treinado é aquele que retarda o seu uso e ainda consegue reutilizá-lo e repare também que a medida que essa transição de energia acontece, traz junto a necessidade de que alguns sistemas reparadores atuem de forma mais contundentes. E cada transição dessa apresentam eventos fisiológico marcantes dos quais chamamos dos famosos limiares e é aí que entra a história das zonas de treinamentos.
Em baixas intensidades, usamos as duas fontes de energia, mas principalmente as gorduras. À medida que a intensidade aumenta e precisamos da energia do carboidrato, começa a ter um acúmulo desse “lixo” metabólico e no primeiro momento que o sistema não consegue removê-lo por completo e ele começa a ase acumular, chamamos de primeiro limiar ou limiar aeróbico ou limiar 1.
À medida que a intensidade continua aumentando, mais “lixo” se acumula até o ponto que o corpo começa querer usar a respiração para eliminá-lo. Sabe quando você começa a ficar tão ofegante? É o sistema querendo liberar o gás carbônico, pois é através dessa compensação respiratória que ele consegue ainda manter o sistema funcionando. Quando essa liberação de gás carbônico fica tão acentuada, chamamos de limiar anaeróbico, ou limiar 2. É nessa intensidade que você faz o famoso treino de limiar. Detalhe que não pode passar desapercebido. Ficar ofegante, portanto, não é porque “tá faltando ar” ou oxigênio, como muitos pensam, aqui o corpo ainda não chegou na sua capacidade máxima de consumir oxigênio o famoso Vo2 Máximo. Ele ainda suporta mais aumento de intensidade.
O atleta de elite que consegue suportar o sofrimento causado por todas essas repercuções fisiológicas e usa esse lixo como forma de produzir nova energia preciosa, consegue se destacar ainda mais do que os outros atletas.
Continuando ainda assim a subir a intensidade, chegamos num ponto onde o sistema, aí sim, chega na sua capacidade de captar oxigênio. Esse limite é o famoso Vo2Máximo. Aqui o corpo precisa de uma energia absurda e ela precisa ser entregue numa velocidade muito rápida. Por isso, aqui, praticamente 100% da fonte de energia é o glicogênio e a energia reaproveitada do lixo metabólico.
O atleta mais apto a vencer será aquele que esse ponto de Vo2 máximo seja o mais alto, e que o seu limiar 2 seja o mais próximo desse Vo2 máximo. Além disso, ele precisa ser aquele com a maior resiliência fisiológica para ser capaz de suportar o maior sofrimento que essa intensidade causa. Para tanto, ele precisa ter o que chamamos de eficiência mecânica de corrida.
Note que são muitas adaptações diferentes que o corpo precisa e cada uma dela ocorre melhor em um estágio diferente de intensidade. A Z1 e Z2, ocorrem antes daquele primeiro acúmulo de lixo. A Z3 ocorre entre esse ponto e seguinte que é quando o copo começa usar a respiração para liberar o lixo metabólico. A Z4 seria então a zona entre esse ponto e o ponto aonde o corpo chega na sua máxima captação de oxigênio. O Z5 seria então o ponto exato onde o corpo capta o máximo de oxigênio ou superior a ele.
Por isso, é importante seguir um planejamento que contemple todas essas zonas em quantidade suficiente. Quando o atleta não entende isso, comete erros de correr mais rápido quando deveria ser lento, fica cansado e depois não consegue correr rápido quando realmente deveria.
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