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Comece agora mesmo a cuidar do seu corpo e mente fazendo atividade física com qualidade e segurança.

Qualidade de vida e bem estar.

Segurança, Motivação e exclusividade!

Supere seus limites e conquiste seus objetivos!

Entre em forma e conquiste saúde!

O erro de quem corre para aliviar a ansiedade e estresse

 “Eu só quero correr sem pressão.”

Essa é uma das frases que mais escuto de quem chega até mim e querem usar a corrida como ferramenta de bem-estar. Pessoas cansadas, ansiosas, sobrecarregadas, que enxergam na corrida uma forma de aliviar a mente, desacelerar, fugir um pouco do peso do dia a dia.

Faz sentido.

Quando a vida se torna exigente demais, o corpo entra em estado de alerta constante. O sistema de ameaça fica hiperativo, sustentado por catecolaminas como adrenalina e noradrenalina, além de níveis elevados de cortisol. O resultado não é apenas mental, ele é físico. Músculos tensionados, respiração mais curta, sensação de fadiga constante, mesmo sem esforço real. Como se o corpo estivesse o tempo todo se preparando para lutar ou fugir, mas sem nunca descarregar essa energia. A cabeça nunca desliga.

E então vêm as tentativas de compensação.

Alimentos altamente palatáveis, ricos em açúcar, gordura e sal, ativando vias dopaminérgicas para gerar alívio rápido. Bebidas estimulantes para manter o nível de ativação. Medicamentos para dormir, outros para controlar a ansiedade. Finais de semana usados como válvula de escape, muitas vezes com excesso. Um ciclo que alterna entre hiperativação e tentativa de anestesia.

Nesse contexto, buscar algo leve, sem cobrança, sem responsabilidade, é compreensível e realmente necessário. A corrida aparece como esse espaço.

Contudo, surge uma pergunta importante.

Isso é o que a pessoa quer ou o que ela precisa?

Na Terapia Cognitivo Comportamental, quando alguém começa a evitar sistematicamente situações que exigem enfrentamento, chamamos isso de comportamento de evitação. O alívio imediato reforça o padrão, porém mantém o problema ativo.

E aqui está o ponto central.

O padrão mental não desaparece quando você começa a correr, apenas muda de ambiente.

A pessoa que vive sob medo de julgamento não deixa de sentir isso correndo sem pace. A necessidade de aprovação não some porque o treino não tem meta. A tendência à comparação continua presente, mesmo sem números explícitos. A autossabotagem encontra novas formas de se manifestar.

Correr sem estrutura pode reduzir a pressão inicial, mas não necessariamente desenvolve as capacidades que essa pessoa precisa.

Saúde mental não é apenas ausência de estresse, mas sim funcionamento adequado das estruturas envolvidas na regulação emocional, tomada de decisão e percepção de si mesmo. O córtex pré-frontal, especialmente, precisa ser estimulado de forma ativa para desenvolver controle inibitório, planejamento e resiliência.

E isso não acontece apenas com relaxamento.

Relaxar é necessário, porém não suficiente. O desenvolvimento dessas funções exige exposição gradual ao desconforto, compromisso com o processo, responsabilidade sobre as próprias escolhas. Sem isso, o sistema continua reativo, apenas com momentos pontuais de alívio.

A diferença entre remédio e veneno está na dose.

Corrida demais, com cobrança excessiva, pode amplificar ansiedade. Corrida leve demais, sem direção, pode manter a estagnação. O ponto está no equilíbrio entre estímulo e recuperação, entre desafio e controle.

O que muitos buscam é um escape. Um tronco no meio do oceano para não afundar.

Mas a corrida pode ser mais do que isso.

Ela pode ser o barco.

Um meio de desenvolver controle sobre o próprio corpo, clareza mental, capacidade de lidar com desconforto, consistência nas decisões. Não para eliminar as ondas, mas para aprender a navegar por elas.

Para que isso aconteça, o treino não pode se limitar à fisiologia e à biomecânica. Ele precisa considerar comportamento, padrões cognitivos, contexto de vida. Precisa respeitar o momento da pessoa, porém também conduzi-la para além dele.

Relaxar quando necessário, mas avançar quando possível.

Sem isso, a corrida vira apenas mais um alívio temporário. Com isso, ela se torna uma ferramenta real de transformação.

E é exatamente nesse ponto, que a condução faz diferença, que eu mais gosto de atuar. O aluno entra querendo escape, mas permanece, pois, encontra desenvolvimento, crescimento através de acompanhamento qualificado, mas respeitoso e dedicado.

Como ser um corredor de longas distâncias?

 Sempre fiz exercícios físicos. Impensável isso não fazer parte da minha vida. Claro, assim como para todas as pessoas, as modalidades que fiz tinham como meta me levar a um objetivo para além da modalidade. Por exemplo, musculação me ajudaria a hipertrofiar o que me ajudaria a ter auto estima, o que me ajudaria com as meninas. Mas eu também gostava de treinar musculação. Criava desafios internos, testava meus limites e isso me motivava a permanecer constante. Fazia por gosto pela aquela vivência.

Já a corrida, nunca gostei de fazer. Essa foi sempre pela obrigação para me levar a algum outro objetivo e nada mais. Nunca foi porque sentia prazer enquanto fazia. Pelo contrário. Ainda criança, detestava quando os professores mandavam correr em volta do campo. Fazia porque me ajudaria a jogar futebol melhor. Depois de adulto, corria somente para ajudar no shape ou para acompanhar algum aluno ou amigo. Nunca havia sido porque eu gostava de correr.

Mas algo mudou. Resolvi usar a corrida para um fim específico. Desafiar meus limites e isso demandaria fazer para mim, o que fazia para os alunos. Criar uma programação específica. Nada de treinos aleatórios.

Para conseguir executar aquilo que programei, precisei criar em mim algo que todo corredor de longa distância tem. Uma identidade.

Quando falamos em corredores de longa distância, pensamos o quanto essas pessoas são resilientes, pacientes, não se desesperam por ter que ficar horas fazendo o mesmo movimento. Também, logo nos vem à cabeça a disciplina, capacidade de suportar a dor, como são bons planejadores, cuidadosos com a rotina e alimentação. Chama atenção também, como são bons em dizer “não” para aquilo que pode atrapalhar seus objetivos.

Na Terapia Cognitivo Comportamental temos uma premissa que comportamentos geram evidências, evidências geram crenças, crenças geram identidade e identidade geram comportamentos e esse ciclo se fortalece cada vez mais.

Por isso, desde o início, sempre venho modelando àquelas pessoas que já conseguem fazer o que eu desejo alcançar.

Sempre que tenho um treino desafiador, ou estou com vontade de pular um treino, mudar uma refeição ou desistir de uma meta, faço-me uma pergunta:
“O que o corredor de longa distância que quero me tornar faria?”. Já quando estou no meio do treino e ele está maçante, demorado, parecendo não fluir afirmo para mim mesmo:
“Você é o corredor de longa distância que consegue manter a calma, paciência. Você é como aquele sniper que fica horas numa posição esperando a hora certa de apertar o gatilho, uma única vez, para dar o tiro certeiro”. Também busco nos meus pensamentos a lembrança que ser corredor de longa distância é ser meticuloso, obcecado, calculista, frio, metódico, consciencioso.

Dessa forma, “relembro” meu cérebro quem estou me tornando, reforço a identidade e como vimos, ela nos leva a comportamentos no caso seguir o treino. Isso me gera evidências que estou me tornando realmente um corredor de longa distância. Aumenta a minha crença nessa identidade e assim reforço esse ciclo. Tornando me cada vez mais capaz de suportar aquilo que é preciso para alcançar meus objetivos.

Sabe o que me encanta nisso? Passei a amar correr. Nem consigo dizer mais se gosto tanto porque cultivei essa identidade ou se por ter aprendido gostar, consegui enraizar essa identidade.

O fato é que já havia passado por esse processo antes, para outros fins. Contudo, nesse caso, de forma inconsciente, sem saber quais eram os passos e estratégias técnicas para isso. Isso aconteceu quando resolvi estudar para o vestibular e aprendi a ser uma pessoa estudiosa, mesmo até aquela época, acreditando numa identidade contrária; a de alguém que não gostava de estudar. Também fiz isso para ser uma pessoa mais comunicativa, para beber menos e outras situações.
Mas foi na corrida, aí sim com conhecimento técnico não só de treinamento físico, mas comportamental, que usei estratégias e técnicas claras e de forma intencional.

Muito por isso, consigo ajudar tantos alunos a conseguirem objetivos que antes pareciam impossíveis para eles. As mudanças são lentas, mas são notórias e substanciais. O processo é constante, mas prazeroso, sentir que está se tornando a pessoa que deseja ser.

A identidade é algo forte, que molda como lidamos em cada situação. Ela nos leva a padrões. Isso pode ser uma prisão, mas com a técnica e abordagem certa, podemos transformar “a água para o vinho”.

Essa história me mostra que posso ter grandes conquistas que ainda não alcancei, mas antes eu preciso modelar com clareza e assertividade a identidade certa.

Você tem se comportado como alguém que já conseguiu os objetivos que você deseja alcançar? Conte para mim

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Quando a maratona se define

 Chegou abril e com ele, a fase mais decisiva e desafiadora da sua preparação para a maratona.

Provavelmente você correrá em BH, Porto Alegre ou no Rio

Então, agora é o momento em que você atinge o pico de volume semanal.

A quilometragem acumulada chega ao topo, exigindo além de esforço, estratégia certa.

Nesse momento é fundamental incluir longões mais extensos. Aqueles acima de 30 km, pois corredores que acumulam mais treinos nessa faixa tendem a quebrar menos na maratona.

Faltando 7 a 10 semanas você até consegue ficar mais rápido, mas o foco principal é sustentar aquilo que construiu no período de base. Consolidar eficiência, ensinar ao corpo e ao cérebro a reconhecer aquele ritmo como sustentável e não como ameaça. Por isso, os treinos de ritmo, também são essenciais, mesmo estando cansado.

Nesse cenário, naturalmente, você vai sentir um aumento significativo da fadiga.

Mais cansaço, mais desgaste físico e mental. Humor vai oscilar, disposição para treinar vai cair. Até mesmo a imunidade pode sofrer.

Por isso, três pilares se tornam inegociáveis:

O primeiro é o sono adequado, pois é aqui que o corpo e mente se recuperam e o deixa pronto para o próximo treino.

O segundo é alimentação estratégica:

Você não vai sustentar esse volume sem energia certa para treinar e sem nutriente chaves para ajudar na recuperação. A fase de déficit calórico já passou.

Reduzir carboidratos agora é um erro que muitos cometem.

Álcool agora pode comprometer toda a preparação, pois ele reduz sua capacidade exatamente quanto mais precisa e ainda compromete sua recuperação. Risco de infecção e lesões vai às alturas.

O suporte psicológico é o terceiro pilar e é o ponto mais negligenciado. O maratonista já tem o nutricionista e treinador e acha que para vencer a mente, basta apenas ter força de vontade.

Mas a verdade é que essa é uma fase em que o humor fica abalado, dúvidas aparecem com mais frequência. Você vai se questionar se vale a pena continuar, se vai dar conta, se está preparado.
Nesse momento, todas àquelas crenças sabotadoras ganham muita força nos seus pensamentos. Sua mente fica vulnerável.

Você vai se comparar, acreditar que todos parecem treinar melhor, suportam mais, evoluem mais. Você acha que está atrasado, que não consegue, que vai passar vergonha e que precisa desistir mais uma vez.

Isso não é fraqueza, mas o sistema reativo querendo proteger você. Por isso é justamente aqui que você precisa de um especialista para lhe dar direção, clareza e consistência para manter seu sistema consciente dominante.

Abril não é só mais um mês de treino qualquer, mas é o mês que vai definir como será sua prova.

Como está sua preparação?

Por que eu não consigo ter disciplina para treinar e fazer dieta?

 Você começa a treinar e fazer dieta com muito empenho. Segue certinho, sem faltar. Consegue ficar até mesmo sem beber numa festa, sem comer docinho de sobremesa. Acorda cedo para treinar. Mas passa 4, 5, 6 semanas e todo esse empenho vai caindo. Aos poucos começa as negociações dentro do próprio cérebro.

Maquiavel já dizia: “A natureza dos homens é inconstante: é fácil persuadi-los, mas difícil mantê-los persuadidos” e isso é exatamente o que acontece com você. Primeiros se convence a mudar, mas pouco tempo depois já desiste da mudança.

Porém, diferente de Maquiavel, que não conhecia neurociência, você vai aprender o porquê isso acontece.

Nosso cérebro é orientado para tomar decisões avaliando custo versus benefícios. Mas para tanto, ele precisa de uma referência para saber o quanto algo é custoso e o quanto é benéfico. Ele então busca essa informação em sua memória. Eventos e situações similares em que ele precisou tomar uma decisão. Para selecionar qual memória, em meio a tantas, ele usa como critério, gatilhos, similaridades de contextos, mas também aquelas memórias que tem mais a ver com a identidade que a pessoa tem de si, armazenada em outra área do cérebro.



Ele faz uma análise das possibilidades de tomada de decisão e escolhe aquela que traz melhor custo versus benefício não para o seu bem, mas para o bem da identidade sobre si, construída e registrada no seu cérebro.

A cada tomada de decisão o cérebro cria um registro e toda vez que ele precisa tomar uma decisão similar, ele busca nesse “arquivo de registros” aquela decisão mais “correta” para o “bem da identidade”. Tomada a decisão, ele reforça mais ainda aquela identidade já criada.

Mas ficar fazendo esse ciclo de: busca de registro, análise, tomada de decisão, reforço do registro, é do ponto de vista cerebral, lento. Então, o cérebro começa a encurtar o caminho. Ele entende que algumas informações já se repetiram tanto e ou foram tão importantes que é melhor já as reproduzir sem “pensar”.

Assim criamos os padrões de pensamentos, de comportamentos e automatizamos isso tudo. Dessa forma, temos os hábitos.

Uma pessoa que é disciplinada para treinar, fazer dieta, seguir um planejamento, mesmo em dias que não está tão animada teve em sua vida contextos, pensamentos e decisões que a levaram a criar esse tipo de padrão de decisão. Quanto mais ela se expôs a esses tipos de eventos e situações, mais ele cravou essa identidade e esse padrão cerebral.

Ao ponto que para algumas pessoas a dificuldade já não é mais sair de casa para treinar. Pelo contrário, se ela precisa descansar, ela tem que lutar com o cérebro é para ficar em casa, pois ele quer “mandá-la” para o treino. Note que aqui o cérebro não está preocupado com o que é o melhor de verdade para ela, que no caso seria se recuperar para continuar progredindo ou evitar uma lesão. Ele quer mesmo o melhor para a identidade construída para esse caso decidir ficar na cama não combina em nada, mas sim, ir treinar a qualquer custo.

Agora a pessoa considerada indisciplinada passa exatamente pelo mesmo processo, o problema é que no caso dela, a construção da identidade foi sempre de alguém que preferiu o prazer imediato, o conforto, a recompensa com baixo esforço. A cada vez que a pessoa deixa de treinar, pois está com preguiça, acredita que merece descanso, que não tem tempo, que a vida é muito mais difícil para ela vai reforçando o tipo de comportamento, pensamentos e hábitos.

Com o tempo, pessoas mais disciplinadas acabam tendo determinadas áreas cerebrais relacionadas a resiliência, planejamento, adiamento de recompensas, mais ativas do que os sedentários possuem.


Entendido esse quadro a pergunta que fica é: “então, vou ser sempre assim?”.
A resposta vai ser sim para a maioria das pessoas. Não porque não seja possível mudar. Pelo contrário, a mudança é possível sim, graças a neuroplasticidade. Que seria a capacidade de “remodelar” o cérebro. Inclusive, mesmo pessoas mais velhas podem mudar seus padrões, já que a neuroplasticidade, apesar de ser maior em crianças, continua ocorrendo durante a vida.

Mas o fato é que para mudar padrões de pensamentos, comportamentos e hábito é preciso método. Não é só uma questão de “força de vontade”. Emagrecer não é uma questão somente de “fechar a boca e treinar”. Na verdade, esse pensamento só piora as coisas.

É preciso entender muito profundamente como o cérebro se comporta e usar técnicas, especialmente de Terapia Cognitivo Comportamental para causar intervenções certeiras em cada caso. Infelizmente, a maioria das pessoas não terão acesso a isso, portanto a maioria das pessoas ficarão “dando murro em ponta de faca”.

Aqui, expus uma pequena parte de como o cérebro funciona. De forma didática, exclui uma infinidade de outros eventos cerebrais que ocorrem além disso, todos eles acontecem simultaneamente e numa velocidade absurda.

Agora, diferente de Maquiavel, você aprendeu que o seu “jeito de ser” não foi ao acaso, nem mesmo que você é escravo desse jeito para eternidade. Então, conte para mim, você tem algum tipo de comportamento, pensamento ou hábito que deseja mudar em si, mas tem muita dificuldade?

Você quer fazer parte da minoria que realmente consegue chegar na verdadeira transformação de si? Então, continue seguindo meus conteúdos por aqui e no Instagram. Aproveite para enviar essa carta para algum conhecido que fica se culpando por não conseguir mudar os próprio comportamentos e resultados.

O que é um corredor bem treinado

 Você começa a correr, mas sente que não a respiração não ajuda, a perna pesa, o coração parece que vai explodir de tanta força que faz. Isso ocorre, pois sua capacidade física ainda está fraca. Mas calma, você pode melhorar e muito seu condicionamento físico. Mas além de treinos, precisa entender o que acontece no seu corpo, de acordo com cada tipo de treino que fizer.

Para melhorar a performance, o corpo precisa sofrer algumas adaptações, que são provocadas quando se oferta a ele estímulos na intensidade e quantidade certa.

O corpo possui duas fontes principais de energia. Uma, a gordura, é tão abundante que nos permitiria correr horas e horas. Mas que libera energia de forma lenta. A outra fonte é mais escassa e preciosa. Ela é o carboidrato armazenado como glicogênio muscular e hepático. A grande vantagem dela é que consegue liberar muita energia de uma vez.

Quando estamos num exercício e aumentamos a intensidade, aumentamos não só a demanda por mais energia, mas também que ela seja entregue em grandes quantidades e o mais rápido possível.

Ser treinado, então, é ter a capacidade de que mesmo com maiores intensidades o corpo retarde ao máximo o uso da energia preciosa, glicogênio. Conseguindo se satisfazer grandemente com a energia mais abundante, gordura.

Para tanto, precisa então, ter mais locais que queimam essa energia abundante (mitocôndrias) e que esses locais sejam não só mais numerosos, mas que funcionem melhor. Também precisamos ter uma capacidade de levar mais nutrientes para os músculos e retirar a “sujeira” dentro dele, causada pela liberação de energia. Para tanto, precisamos que mais sangue chegue lá e para isso o coração tem que melhorar a capacidade de bombeá-lo. Mas não basta apenas isso, ele precisa de “estradas” mais largas e mais numerosas para não gerar “engarrafamento” sanguíneo. Essas estradas são os vasos que irrigam esses músculos.

Correndo mais rápido, por mais tempo e usando mais energia o sistema vai gerar mais calor, o que limita a performance e por isso precisa, também ter um sistema de resfriamento excelente.

Com essas condições, atleta bem treinado já correrá numa velocidade maior que a maioria dos seus concorrentes. Mas outros poucos atletas de elite também estarão nesse mesmo nível.

O atleta bem treinado, então precisa usar sua energia preciosa, como se fosse um turbo, para conseguir correr em velocidade ainda maior e ele também não quer que ela acabe rapidamente.

O uso cada vez maior dessa energia produz uma espécie de “lixo” metabólico, importante, mas que limita o desempenho. Ele necessita, então de um sistema que consiga remover esse lixo de forma bem eficiente a tal ponto de conseguir, inclusive, usá-lo como fonte de mais energia preciosa.

Observe que à medida que ocorre aumento progressivo da intensidade o corpo passa a depender mais da energia preciosa e o atleta bem treinado é aquele que retarda o seu uso e ainda consegue reutilizá-lo e repare também que a medida que essa transição de energia acontece, traz junto a necessidade de que alguns sistemas reparadores atuem de forma mais contundentes. E cada transição dessa apresentam eventos fisiológico marcantes dos quais chamamos dos famosos limiares e é aí que entra a história das zonas de treinamentos.

Em baixas intensidades, usamos as duas fontes de energia, mas principalmente as gorduras. À medida que a intensidade aumenta e precisamos da energia do carboidrato, começa a ter um acúmulo desse “lixo” metabólico e no primeiro momento que o sistema não consegue removê-lo por completo e ele começa a ase acumular, chamamos de primeiro limiar ou limiar aeróbico ou limiar 1.

À medida que a intensidade continua aumentando, mais “lixo” se acumula até o ponto que o corpo começa querer usar a respiração para eliminá-lo. Sabe quando você começa a ficar tão ofegante? É o sistema querendo liberar o gás carbônico, pois é através dessa compensação respiratória que ele consegue ainda manter o sistema funcionando. Quando essa liberação de gás carbônico fica tão acentuada, chamamos de limiar anaeróbico, ou limiar 2. É nessa intensidade que você faz o famoso treino de limiar. Detalhe que não pode passar desapercebido. Ficar ofegante, portanto, não é porque “tá faltando ar” ou oxigênio, como muitos pensam, aqui o corpo ainda não chegou na sua capacidade máxima de consumir oxigênio o famoso Vo2 Máximo. Ele ainda suporta mais aumento de intensidade.

O atleta de elite que consegue suportar o sofrimento causado por todas essas repercuções fisiológicas e usa esse lixo como forma de produzir nova energia preciosa, consegue se destacar ainda mais do que os outros atletas.

Continuando ainda assim a subir a intensidade, chegamos num ponto onde o sistema, aí sim, chega na sua capacidade de captar oxigênio. Esse limite é o famoso Vo2Máximo. Aqui o corpo precisa de uma energia absurda e ela precisa ser entregue numa velocidade muito rápida. Por isso, aqui, praticamente 100% da fonte de energia é o glicogênio e a energia reaproveitada do lixo metabólico.

O atleta mais apto a vencer será aquele que esse ponto de Vo2 máximo seja o mais alto, e que o seu limiar 2 seja o mais próximo desse Vo2 máximo. Além disso, ele precisa ser aquele com a maior resiliência fisiológica para ser capaz de suportar o maior sofrimento que essa intensidade causa. Para tanto, ele precisa ter o que chamamos de eficiência mecânica de corrida.

Note que são muitas adaptações diferentes que o corpo precisa e cada uma dela ocorre melhor em um estágio diferente de intensidade. A Z1 e Z2, ocorrem antes daquele primeiro acúmulo de lixo. A Z3 ocorre entre esse ponto e seguinte que é quando o copo começa usar a respiração para liberar o lixo metabólico. A Z4 seria então a zona entre esse ponto e o ponto aonde o corpo chega na sua máxima captação de oxigênio. O Z5 seria então o ponto exato onde o corpo capta o máximo de oxigênio ou superior a ele.

Por isso, é importante seguir um planejamento que contemple todas essas zonas em quantidade suficiente. Quando o atleta não entende isso, comete erros de correr mais rápido quando deveria ser lento, fica cansado e depois não consegue correr rápido quando realmente deveria.

Para quem está com dificuldades em evoluir, siga meu perfil no Instagram @eltonpanzeripersonal e se inscreva para receber mais cartas semanais como essa. Aqui eu ensino sobre, mente, corpo e comportamentos para que você consiga evoluir verdadeiramente. 

O que correr uma ultramaratona me ensinou.

 Correr 30km, 40km, 50km não acontece do dia para a noite. Uma pessoa para conseguir isso precisa de muitos treinos de corrida, fortalecimento. Precisa ter uma alimentação minimamente saudável e controlada. Necessita de muita dedicação e disciplina.

Mas existe algo que é imprescindível para correr longas distâncias; saber dizer “não”.

A necessidade de pertencimento, de validação, o medo de rejeição, de exclusão, de julgamentos faz muitas pessoas a dizerem sempre sim para o outro, mesmo quando internamente quer recusar os convites, ofertas e pedidos. A nossa necessidade de fuga, busca por prazer também nós induz a sempre dizer sim para nós, mesmo quando queremos dizer não. Quem aí, rolando as redes sociais no celular, já quis dizer não para si, mas acabou dizendo sim ao continuar navegando na internet?

Com o passar dos treinos e de minha evolução nas distâncias percorrida, precisei cada vez mais de dedicação. Nesse processo aprendi na prática algo que é tão evidente e nós até sabemos, mas que talvez até por isso, nem percebemos ou praticamos.

Dizer sim para alguém é dizer não para si mesmo.

Aqui, não quero dizer que você deve ser um egoísta malvado que só pensa em si.

Também não me refiro apenas àqueles pedidos que a pessoa faz para “explorar” ou aproveitar da sua bondade. Digo, também, até quando alguém oferece uma oferta ou convite aparentemente bom.

Por isso é importante aprender a classificar as suas decisões em 3 categorias

A) Aquelas que ajudam alcançar seus objetivos

B) Aquelas que nem ajudam e nem atrapalham

C) Aquelas que atrapalham alcançar seus objetivos.

Nessa jornada, tive que em vários momentos recusar convites sociais, deixar de estar presente com entes queridos. Em alguns eventos que fui, tive que deixar de tomar minha cerveja, mesmo quando amigos ficaram insistindo. Em muitas sextas-feiras à noite tive que deixar de assistir séries com minha filha e esposa, pois tinha treino no dia seguinte.

Tive que deixar de aceitar alguns convites que até seriam vantajosos. Mas somente se eu tivesse outros objetivos de vida.

Enquanto corria minha primeira ultramaratona, vinha em minha cabeça a satisfação de saber que iria conquistar essa meta de correr 50km sem parar, graças a todas as vezes que “sofri” nos treinos e ao dizer não para aquilo que me afastava do objetivo.

Não fosse por isso, jamais eu poderia escrever essa carta a você e jamais poderia dizer que hoje sou um ultramaratonista.

A cada não que disse e por consequência me deixava mais perto da meta, mais entendia que preciso usar isso em todos meus caminhos e objetivos.
Nesses últimos anos, sinto-me mais focado em meus estudos, trabalho, família e treino.
Isso me levou a ver menos os amigos, sair menos, não jogar mais futebol. Mas tenho ganhado tanto por isso, que venho aprendendo, não no discurso, mas na prática aquilo cantado pelo Chorão do Charlie Brow Jr. “Cada escolha uma renúncia, isso é a vida”.

Talvez, na verdade provavelmente, você vai ouvir que sumiu, que virou bitolado, exagerado, que é egoísta. Mas talvez seja justamente isso que você precise ser. Pois quem vai arcar com as consequências dos seus sins, será você mesmo. Quem pediu, quem cobrou, quem julgou você vai seguir a própria vida, colhendo os frutos da sua permissividade, enquanto será você que sofrerá por ter se deixado de lado.

Acredito que a maioria das pessoas, sucumbem a essa necessidade de aprovação do outro e sempre diz sim para as vontades alheias e até as vontades próprias, pois ainda não conhecem qual o próprio caminho. Acabam, portanto, caindo naquela frase de Sêneca: “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”.

Todo convite, toda oportunidade, todo pedido, parece ser bom, ser urgente e ser imperdível.
Correr essa ultramaratona mostrou que muitas vezes dizer sim para uma oportunidade pode ser maravilhoso para uma pessoa, mas para outra que tem objetivos diferentes pode ser uma péssima ideia.

Talvez ganhar mais dinheiro em um emprego em uma outra cidade pode ser ótimo para uma pessoa, mas seria péssimo para outra.

Essa jornada até meus primeiros 50km fez que eu reforçasse esse entendimento, principalmente por ter o colocado em prática.

Pensando nisso quero que você responda, você sabe dizer não?

O que a maratona e o primeiro beijo têm em comum?

 Você estava lá, diante da pessoa que lhe fazia tremer as pernas e de repente os seus lábios se tocaram. Um estalo, um selinho... 1 segundo, talvez dois ou três. O primeiro beijo concretizado.

Ao mesmo tempo que foi rápido, foi eterno. Ao mesmo tempo que gerou medo, insegurança, tensão, gerou felicidade, alívio, orgulho satisfação e o sentimento de plenitude.

Para alguns o primeiro beijo foi mágico, para outros foi indiferente, infelizmente, para alguns foi traumático e era melhor que nem tivesse acontecido. Para alguns, como eu, nem nos lembramos.

O fato é que o primeiro beijo só existe uma única vez. Não importa quantos beijos você deu depois disso. O primeiro nunca mais vai existir.

Na vida, a primeira vez de qualquer coisa que você faça, nunca mais se repetirá e deixará um registro ne seu cérebro. Poderá moldar toda sua vida, a depender do que se tratava e acima de tudo, de como você digeriu todo esse momento.

A maratona não foge dessa regra. Correr a sua primeira maratona só acontecerá uma única vez e se vocês está aqui comigo, parece-me que está prestes a acontecer ou ela foi marcante na sua vida, caso já tenha feito a sua estreia.

Para os iniciantes, tenho algo muito importante a dizer, assim como o primeiro beijo pode ser maravilhoso ou ser desastroso a maratona também corre esse risco.

Um beijo precoce, inesperado, sem preparo mental principalmente deixa marcas terríveis. Uma maratona sem o devido preparo físico, sem o respeito pelo que isso significa e sem principalmente a maturidade psicológica para esse grande momento, poderá trazer traumas irreparáveis na sua vida de corredor.

Não é incomum nos depararmos com maratonistas que afirmam nunca mais querer correr uma maratona. Assim como aquele que lidou mal com o primeiro beijo e depois dali teve uma vida inteira de dificuldades nos relacionamentos, aquele que só tem lembranças ruins da maratona possivelmente terá grandes dificuldades de relacionamento com a maratona.

Caso você esteja prestes a debutar na maratona, não se intimide por ela. Imagino que agora você está nervoso, como medo de não conseguir, achando que não é para você, que foi um erro ter se inscrito.

Mas muito provavelmente seu corpo já está pronto para os 42,195km. Agora é sua mente o maior obstáculo. Por isso, acredite, não é o resultado da prova que vai definir sua vida corredora, assim como não é o primeiro beijo que definirá seus relaciona,entos. Mas como você vai deixar isso afetar você.

“Não são as coisas que nos perturbam, mas os julgamentos que fazemos sobre elas.” EPICTETO

Dito isso, acredite, você está achando que a preparação é longa, difícil. Vai achar também que a prova é longa, interminável. Mas como aquele primeiro beijo que durou poucos segundos foram rápidos e eternos ao mesmo tempo, a maratona será da mesma forma. Escrevo aqui já tendo corrido 50km em um único treino. Já fiz outras maratonas e acredite, depois de passado, todo o processo, se feito adequadamente, você sentirá saudades e principalmente que foi tão rápido que nem teve tempo de desfrutar. Não importa quantas outras fizer, vai ter sempre saudades e carinho dessa primeira maratona.

Para aqueles que já fizeram e tiveram traumas e nunca mais querem fazer, vocês têm a oportunidade de usar isso a seu favor, como crescimento, como desenvolvimento da capacidade de superar traumas que poderá ser usado para a vida toda. Assim como uma pessoa que teve o primeiro beijo desastroso, mas soube lidar com isso para ter relacionamentos saudáveis, você também pode fazer a mesma coisa com a maratona. Acredito, inclusive, que um segundo ciclo, após um primeiro traumático, será ainda mais transformador do que se o primeiro tivesse sido agradável.

Para você debutante, aproveite. Escolha uma prova alvo que você se identifique com o lugar, chame os familiares para torcer, registre todos os momentos, tire fotos, faça vídeos, converse com os amigos sobre isso, cuide dos seus equipamentos, desfrute da jornada. Permita-se experenciar, sem comprometer o planejamento. Faça desse primeiro beijo, ou melhor primeira maratona, algo especial.

Você vai passar por uma montanha russa de sentimentos, vai temer, vai ficar ansioso, vai sorrir, vai chorar, não lute com seus sentimentos. Apenas os observe, contemple-os. Isso tudo faz parte do pacote “transforma pela maratona”. Assim como o primeiro beijo, sinta-o. Viva o momento.
Vai se conectar com Deus, vai sentir que é ele quem corre os últimos quilômetros por você. A respiração vai falhar, não pelo cansaço, mas pelo choro de emoção antes mesmo de acabar.

É lindo, é eterno, é mágico. Não me lembro do meu primeiro beijo, mas me lembro da primeira maratona e até hoje sinto a emoção dela correndo pelo meu corpo.

Seu cérebro vai registrar essa experiência, decida como quer que ela seja lembrada. Sua primeira maratona vai ser seu primeiro beijo pela segunda vez.

Parabéns, estreante, você agora é um maratonista!