//

O que correr uma ultramaratona me ensinou.

 Correr 30km, 40km, 50km não acontece do dia para a noite. Uma pessoa para conseguir isso precisa de muitos treinos de corrida, fortalecimento. Precisa ter uma alimentação minimamente saudável e controlada. Necessita de muita dedicação e disciplina.

Mas existe algo que é imprescindível para correr longas distâncias; saber dizer “não”.

A necessidade de pertencimento, de validação, o medo de rejeição, de exclusão, de julgamentos faz muitas pessoas a dizerem sempre sim para o outro, mesmo quando internamente quer recusar os convites, ofertas e pedidos. A nossa necessidade de fuga, busca por prazer também nós induz a sempre dizer sim para nós, mesmo quando queremos dizer não. Quem aí, rolando as redes sociais no celular, já quis dizer não para si, mas acabou dizendo sim ao continuar navegando na internet?

Com o passar dos treinos e de minha evolução nas distâncias percorrida, precisei cada vez mais de dedicação. Nesse processo aprendi na prática algo que é tão evidente e nós até sabemos, mas que talvez até por isso, nem percebemos ou praticamos.

Dizer sim para alguém é dizer não para si mesmo.

Aqui, não quero dizer que você deve ser um egoísta malvado que só pensa em si.

Também não me refiro apenas àqueles pedidos que a pessoa faz para “explorar” ou aproveitar da sua bondade. Digo, também, até quando alguém oferece uma oferta ou convite aparentemente bom.

Por isso é importante aprender a classificar as suas decisões em 3 categorias

A) Aquelas que ajudam alcançar seus objetivos

B) Aquelas que nem ajudam e nem atrapalham

C) Aquelas que atrapalham alcançar seus objetivos.

Nessa jornada, tive que em vários momentos recusar convites sociais, deixar de estar presente com entes queridos. Em alguns eventos que fui, tive que deixar de tomar minha cerveja, mesmo quando amigos ficaram insistindo. Em muitas sextas-feiras à noite tive que deixar de assistir séries com minha filha e esposa, pois tinha treino no dia seguinte.

Tive que deixar de aceitar alguns convites que até seriam vantajosos. Mas somente se eu tivesse outros objetivos de vida.

Enquanto corria minha primeira ultramaratona, vinha em minha cabeça a satisfação de saber que iria conquistar essa meta de correr 50km sem parar, graças a todas as vezes que “sofri” nos treinos e ao dizer não para aquilo que me afastava do objetivo.

Não fosse por isso, jamais eu poderia escrever essa carta a você e jamais poderia dizer que hoje sou um ultramaratonista.

A cada não que disse e por consequência me deixava mais perto da meta, mais entendia que preciso usar isso em todos meus caminhos e objetivos.
Nesses últimos anos, sinto-me mais focado em meus estudos, trabalho, família e treino.
Isso me levou a ver menos os amigos, sair menos, não jogar mais futebol. Mas tenho ganhado tanto por isso, que venho aprendendo, não no discurso, mas na prática aquilo cantado pelo Chorão do Charlie Brow Jr. “Cada escolha uma renúncia, isso é a vida”.

Talvez, na verdade provavelmente, você vai ouvir que sumiu, que virou bitolado, exagerado, que é egoísta. Mas talvez seja justamente isso que você precise ser. Pois quem vai arcar com as consequências dos seus sins, será você mesmo. Quem pediu, quem cobrou, quem julgou você vai seguir a própria vida, colhendo os frutos da sua permissividade, enquanto será você que sofrerá por ter se deixado de lado.

Acredito que a maioria das pessoas, sucumbem a essa necessidade de aprovação do outro e sempre diz sim para as vontades alheias e até as vontades próprias, pois ainda não conhecem qual o próprio caminho. Acabam, portanto, caindo naquela frase de Sêneca: “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”.

Todo convite, toda oportunidade, todo pedido, parece ser bom, ser urgente e ser imperdível.
Correr essa ultramaratona mostrou que muitas vezes dizer sim para uma oportunidade pode ser maravilhoso para uma pessoa, mas para outra que tem objetivos diferentes pode ser uma péssima ideia.

Talvez ganhar mais dinheiro em um emprego em uma outra cidade pode ser ótimo para uma pessoa, mas seria péssimo para outra.

Essa jornada até meus primeiros 50km fez que eu reforçasse esse entendimento, principalmente por ter o colocado em prática.

Pensando nisso quero que você responda, você sabe dizer não?

0 comentários:

Postar um comentário

-->